Aula
Filosofia - Terceiro Ano
FILOSOFIA
POLÍTICA
A filosofia enquanto pensamento reflexivo
permeia por diversas áreas. Uma delas que se destaca a partir da idade moderna
é a filosofia política. A filosofia política tem por objetivo analisar as
relações entre os ideais para gerenciar a administração pública, a vida prática
e as relações entre política e sociedade. Definindo política como toda relação
social. A partir da consolidação dos estados nacionais na Europa, desenvolve-se
a necessidade de compreensão dos movimentos políticos e seus significados. A origem
da análise política inicia-se na modernidade e chega aos dias atuais com cada
vez mais força.
Os principais pensadores são:
Nicolau
Maquiavel - No inicio
da modernidade, o pensamento político sofre uma profunda revolução com o
pensamento de Maquiavel. Ele rejeita toda a filosofia política anterior que
estava direcionada ao modo de governar. Em sua obra O príncipe, Maquiavel
procurou mostrar a verdade efetiva dos fatos, bem como se da de fato a
conquista e a manutenção do poder. Para Maquiavel o poder esta distante da
ética, ao menos no sentido da teoria política grega. Maquiavel pode ser
considerado o precursor da ciência política, tendo em vista vários aspectos,
porém o mais relevante talvez seja o fato do mesmo ser o solo da ação dos
governantes. Foi Maquiavel quem primeiro empregou o termo Estado no pensamento
político. Sua ética é definida pela expressão: “os fins justificam os meios” e,
daí, o poder deve ser conquistado e mantido com a força necessária.
Thomas
Hobbes - É partindo
dos fundamentos racionalistas, Hobbes elabora sua justificação para o
despotismo. Para ele, o direito, em todos os casos, reduz-se à força; mas
distingue dois momentos na história da humanidade: o estado natural e o estado
político. No estado natural, o poder de cada um é medido por seu poder real;
cada um tem exatamente tanto de direito quanto de força e todos só pensam na
própria conservação e nos interesses pessoais. Isto leva a um momento de
violência, onde permanece a luta de todos contra todos. Na expressão “o homem é
o lobo do homem” chega à definição de que o homem possui a natureza má, ou
seja, o homem naturalmente é levado ao mal, pela cobiça, inveja e etc. Para
superar este estado violento, o homem submete-se ao poder do soberano. Renega o
seu direito à liberdade para que o soberano instaure a paz.
Jean
Jacques Rousseau – A
partir dos ideais deste pensador consolida-se a revolução francesa.
Inicialmente este pensador parte do princípio contrário ao de Hobbes,
compreende que o homem inicialmente é bom, ou seja, vive em equilíbrio com a
natureza e com outros homens. Esta corresponde à teoria do bom selvagem, como
por exemplo, a vida indígena. Porém, em algum momento, que não fica claro, os
homens desenvolvem a propriedade privada. A sociedade a partir daí muda. Não há
na sociedade chances e oportunidades para todos. O ato de possuir altera a
concepção pacífica do homem, que a partir daí caí no estado de violência, de
todos contra todos. O primeiro pensamento socialista é atribuído a Rousseau.
Neste momento a sociedade estabelece um contrato social no qual os indivíduos
se comprometem a cumprir um determinado papel, enquanto o soberano garante
segurança e bem-estar a todos.
John Locke - Locke não admite, naturalmente, ideias e princípios
inatos nem sequer no campo da moral. A sua moral, todavia, é muito mais
intelectualista do que empirista, pois ele lhe reconhece o caráter de
verdadeira ciência, universal e necessária. Quanto à política, Locke deriva a
lei civil da lei natural, racional, moral, em virtude da qual todos os homens -
como seres racionais - são livres e iguais, têm direito à vida e à propriedade;
e, entretanto na vida política, não podem renunciar a estes direitos, sem
renunciar à própria dignidade, à natureza humana. Locke admite um originário
estado de natureza antes do estado civilizado. Não, porém, no sentido brutal e
egoísta de inimizade universal, como dizia Hobbes; mas em um sentido moral, em
virtude do qual cada um sente o dever racional de respeitar nos outros a mesma
personalidade que nele se encontra. Locke admite também a passagem do estado de
natureza ao estado civilizado, porquanto, no primeiro, falta à certeza e a
regularidade da defesa e da punição, que existe no segundo, graças à autoridade
do superior. Entretanto, estipulando este contrato social, os indivíduos não
renunciam a todos os direitos, porquanto os direitos que constituem a natureza
humana (vida, liberdade, bens), são inalienáveis.
John
Rawls – Pensador contemporâneo que a analisa as relações sociais frente ao
poder público. Busca a compreensão de teorias muito necessárias atualmente como
a justiça, a igualdade, as questões étnicas, etc. Segundo John Rawls, a
correção das injustiças sociais, só pode advir da prática de uma política que
vise à equidade. A partir da verificação dos setores sociais mais
desfavorecidos (em razão da raça, sexo, cultura ou religião), devem-se criar
mecanismos para que todos, não obstante as discrepâncias que haverão de
existir, possam ser capazes de ter suas diferenças supridas e possam comungar
de uma máxima efetivação da justiça social. Essas correções provirão a partir
de um arcabouço inicial equânime, onde todos aduzem suas opiniões, delimitam os
verdadeiros princípios de justiça e terminam numa concordância acerca daqueles
que deverão configurar o estado inicial e as instituições que devem determinar
a maximização dos direitos e deveres dos homens e a perpetuação do bem-estar
social. A análise da política vai além da própria manifestação do pensamento
político independente de ideologias ou posições políticas. Para a política é
necessário também analisar as relações sociais, as implicações de determinadas
ações na vida do povo. As questões democráticas também serão conferidas pela
filosofia de forma geral. A crítica sobre o papel político dos governantes,
quanto dos próprios eleitores também é objeto de reflexões filosóficas. Segue
um poema para levar a uma breve crítica.
O Analfabeto Político Bertolt Brecht O
pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa
dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão,
do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões
políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito
dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância
política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os
bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas
nacionais e multinacionais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário