quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Teóricos da Filosofia Política


FILOSOFIA POLÍTICA
 A filosofia enquanto pensamento reflexivo permeia por diversas áreas. Uma delas que se destaca a partir da idade moderna é a filosofia política. A filosofia política tem por objetivo analisar as relações entre os ideais para gerenciar a administração pública, a vida prática e as relações entre política e sociedade. Definindo política como toda relação social. A partir da consolidação dos estados nacionais na Europa, desenvolve-se a necessidade de compreensão dos movimentos políticos e seus significados. A origem da análise política inicia-se na modernidade e chega aos dias atuais com cada vez mais força.
Os principais pensadores são:
Nicolau Maquiavel - No inicio da modernidade, o pensamento político sofre uma profunda revolução com o pensamento de Maquiavel. Ele rejeita toda a filosofia política anterior que estava direcionada ao modo de governar. Em sua obra O príncipe, Maquiavel procurou mostrar a verdade efetiva dos fatos, bem como se da de fato a conquista e a manutenção do poder. Para Maquiavel o poder esta distante da ética, ao menos no sentido da teoria política grega. Maquiavel pode ser considerado o precursor da ciência política, tendo em vista vários aspectos, porém o mais relevante talvez seja o fato do mesmo ser o solo da ação dos governantes. Foi Maquiavel quem primeiro empregou o termo Estado no pensamento político. Sua ética é definida pela expressão: “os fins justificam os meios” e, daí, o poder deve ser conquistado e mantido com a força necessária.
Thomas Hobbes - É partindo dos fundamentos racionalistas, Hobbes elabora sua justificação para o despotismo. Para ele, o direito, em todos os casos, reduz-se à força; mas distingue dois momentos na história da humanidade: o estado natural e o estado político. No estado natural, o poder de cada um é medido por seu poder real; cada um tem exatamente tanto de direito quanto de força e todos só pensam na própria conservação e nos interesses pessoais. Isto leva a um momento de violência, onde permanece a luta de todos contra todos. Na expressão “o homem é o lobo do homem” chega à definição de que o homem possui a natureza má, ou seja, o homem naturalmente é levado ao mal, pela cobiça, inveja e etc. Para superar este estado violento, o homem submete-se ao poder do soberano. Renega o seu direito à liberdade para que o soberano instaure a paz.
Jean Jacques Rousseau – A partir dos ideais deste pensador consolida-se a revolução francesa. Inicialmente este pensador parte do princípio contrário ao de Hobbes, compreende que o homem inicialmente é bom, ou seja, vive em equilíbrio com a natureza e com outros homens. Esta corresponde à teoria do bom selvagem, como por exemplo, a vida indígena. Porém, em algum momento, que não fica claro, os homens desenvolvem a propriedade privada. A sociedade a partir daí muda. Não há na sociedade chances e oportunidades para todos. O ato de possuir altera a concepção pacífica do homem, que a partir daí caí no estado de violência, de todos contra todos. O primeiro pensamento socialista é atribuído a Rousseau. Neste momento a sociedade estabelece um contrato social no qual os indivíduos se comprometem a cumprir um determinado papel, enquanto o soberano garante segurança e bem-estar a todos.
 John Locke - Locke não admite, naturalmente, ideias e princípios inatos nem sequer no campo da moral. A sua moral, todavia, é muito mais intelectualista do que empirista, pois ele lhe reconhece o caráter de verdadeira ciência, universal e necessária. Quanto à política, Locke deriva a lei civil da lei natural, racional, moral, em virtude da qual todos os homens - como seres racionais - são livres e iguais, têm direito à vida e à propriedade; e, entretanto na vida política, não podem renunciar a estes direitos, sem renunciar à própria dignidade, à natureza humana. Locke admite um originário estado de natureza antes do estado civilizado. Não, porém, no sentido brutal e egoísta de inimizade universal, como dizia Hobbes; mas em um sentido moral, em virtude do qual cada um sente o dever racional de respeitar nos outros a mesma personalidade que nele se encontra. Locke admite também a passagem do estado de natureza ao estado civilizado, porquanto, no primeiro, falta à certeza e a regularidade da defesa e da punição, que existe no segundo, graças à autoridade do superior. Entretanto, estipulando este contrato social, os indivíduos não renunciam a todos os direitos, porquanto os direitos que constituem a natureza humana (vida, liberdade, bens), são inalienáveis.
 John Rawls – Pensador contemporâneo que a analisa as relações sociais frente ao poder público. Busca a compreensão de teorias muito necessárias atualmente como a justiça, a igualdade, as questões étnicas, etc. Segundo John Rawls, a correção das injustiças sociais, só pode advir da prática de uma política que vise à equidade. A partir da verificação dos setores sociais mais desfavorecidos (em razão da raça, sexo, cultura ou religião), devem-se criar mecanismos para que todos, não obstante as discrepâncias que haverão de existir, possam ser capazes de ter suas diferenças supridas e possam comungar de uma máxima efetivação da justiça social. Essas correções provirão a partir de um arcabouço inicial equânime, onde todos aduzem suas opiniões, delimitam os verdadeiros princípios de justiça e terminam numa concordância acerca daqueles que deverão configurar o estado inicial e as instituições que devem determinar a maximização dos direitos e deveres dos homens e a perpetuação do bem-estar social. A análise da política vai além da própria manifestação do pensamento político independente de ideologias ou posições políticas. Para a política é necessário também analisar as relações sociais, as implicações de determinadas ações na vida do povo. As questões democráticas também serão conferidas pela filosofia de forma geral. A crítica sobre o papel político dos governantes, quanto dos próprios eleitores também é objeto de reflexões filosóficas. Segue um poema para levar a uma breve crítica.

O Analfabeto Político Bertolt Brecht O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

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